segunda-feira, 24 de junho de 2024

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OPINIÃO: “Fome de pão… Temor, com sede de Esperança”…

Fome de pão… Temor, com sede de Esperança…

Nas palavras de Cortella, Betto, Erundina, Lancellotti, Boff e Francisco, com devida vênia, descrevo…

Não bastasse o “genocídio promovido pelo governo”, favorecendo a infecção de mais de 15 milhões de pessoas e, a morte de mais de 400 mil no Brasil, muitas delas asfixiadas em casa ou, na fila de hospitais por falta de leito, o povo brasileiro se vê, agora, diante de outro fator letal: a fome.

Em dezembro de 2020, de 213 milhões de brasileiros, 19 milhões, literalmente, não tinham o que comer e, 117 milhões, não sabiam o que haveriam de comer no dia seguinte e, sobreviveriam, em insegurança e insegurança alimentar – os dados são da Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (RBPSSAN).

Basta olhar para as ruas do Brasil e, constatar, tristemente, como é atual o poema escrito em 1947, por Manuel Bandeira, denominado “O bicho”. E, dizia assim:

Vi ontem, um bicho na imundice do pátio,

catando comida entre os detritos.

Quando achava alguma coisa, não examinava,

nem cheirava: engolia com voracidade.

O bicho não era um cão, não era um gato,

não era um rato.

O bicho, meu Deus, era um homem.

A COVID-19 impôs à maioria do nosso povo, um dilema de William Shakespeare: “comer ou morrer infectado?”. Se ficar em casa e evitar aglomerações no transporte coletivo e no trabalho, corre-se o risco de morrer de fome, por falta de recursos. Se sair para ganhar o “pão de cada dia”, corre-se o risco de morrer infectado. Vale lembrar que, a indiferença do governo com a saúde do nosso povo, provocou aglomerações! Sabemos que, muitos se infectaram nas agências da Caixa Econômica Federal. O que teria sido evitado se, o pagamento ocorresse em toda a rede bancária (destaca-se a atuação dos funcionários da Caixa, num esforço monumental, atuando nas regras sanitárias).

O novo auxílio emergencial equivale a tentar “atravessar a tempestade, sem se molhar”, segurando apenas uma folha de jornal sobre a cabeça. Os beneficiários da Bolsa Família que, recebem 346 reais por mês, são os mais afetados pelo aumento do custo de alimentos durante a pandemia. 44% dos brasileiros deixaram de comer carne; 41% frutas e, 37% legumes e hortaliças. Entre os beneficiários, a insegurança alimentar chega a atingir 88%. Destes, 35% passam fome.

Ainda, segundo os dados da Escala Brasileira de Insegurança Alimentar (EBIA), divulgado recentemente, em 13 de abril, a fome se faz presente em 25% das casas chefiadas por mulheres. Índice duas vezes superior ao de famílias chefiadas por homens. Se a pessoa é negra, a insegurança sobe para 67%, apontam dados referente à Rede Brasileira de Pesquisa em soberania Alimentar e Nutricional (RBPSSAN).

Vejam bem… Atentem-se: 44 bilhões de reais serão destinados a 45 milhões de pessoas que sobrevivem na extrema pobreza e, o orçamento deste ano (Governo Federal), prevê destinar a 513 deputados federais e 81 senadores, ao todo 594 ‘privilegiados’, 48 bilhões de reais em emendas parlamentares. Ou seja, fortuna essa, para cada parlamentar aplicar no projeto de sua base eleitoral ou, embolsar, via “maracutaias”…

Um governo que cruza os braços diante da pandemia e que, não aplica recursos e metodologia epidemiológica eficiente às políticas públicas de saúde e sociais, não assegura uma renda básica a toda população (abaixo da linha da pobreza), reduz gastos na saúde e na educação e, no entanto, libera e, “libera o comércio de armas”, é declaradamente um “governo genocida”.

Será que vamos naturalizar o genocídio brasileiro? Temo, temo sim, pelo meu grau de humanidade!…

AUTOR: Alexandre da Fonseca, Neuropedagogo, graduado em Filosofia e Pedagogia.