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FRATELLI TUTTI: SOBRE A FRATERNIDADE E A AMIZADE SOCIAL

FRATELLI TUTTI: SOBRE A FRATERNIDADE E A AMIZADE SOCIAL

Roberto Camilo Orfão Morais

A Encíclica Fratelli Tutti do Papa Francisco está situada na tradição das Encíclicas Sociais da Igreja Católica, iniciada pelo Papa Leão XIII em 1891 quando, na oportunidade, escreveu a Rerum Novarum. Francisco enfrenta sob forma profética, os grandes desafios do mundo contemporâneo. Inspirado no diálogo com o Grande imã Ahmad Al-Tayyeb, o texto é uma resposta à Cultura do Confronto e propõe a valorização do ser humano em sua dignidade inalienável. Cita ainda o poeta Vinicíus de Mores: “A vida é uma arte do encontro, embora haja tanto desencontro na vida (215)”.

A Fraternidade é apresentada como caminho a ser percorrido, pois sem ela a ‘Liberdade e a Igualdade’ ficam inconclusivas. Para Francisco não há outra saída: “situações de violência vão-se multiplicando cruelmente em muitas regiões do mundo, a ponto de assumir os contornos daquela que se poderia chamar uma terceira guerra mundial em pedaços (25)”. A Fraternidade é apresentada como uma decisão moral, fruto do pensar humano, princípio ético basilar, tanto para os agnósticos como para os crentes. Na reflexão sobre a fraternidade universal, Francisco sentiu-se motivado por São Francisco, Martin Luther King, Desmond Tutu, Mahatma Gandhi e muitos outros.

Francisco, ao interpretar a parábola do ‘Bom Samaritano’, explica que é um olhar espiritual diferenciado sobre as sombras de um mundo fechado, não uma espiritualidade como fuga da realidade, mas um “Abrir-se ao mundo (12)”, estar de olhos abertos ao próximo.  O Papa também aprofunda a questão, citando o Livro de Gênesis (4,9): “Onde está Abel, teu irmão?” Ao que leva concluir que, estão naqueles que se encontram nas estradas desoladas do próprio mundo. O texto orienta o leitor a vencer os preconceitos, desmentir toda manipulação ideológica, desafiando a todos em ampliar o nosso círculo de convivência, em sempre dar- doar a capacidade plena de amar- característica peculiar do ser humano.

Chama a atenção o fato da Encíclica apresentar o tema da perda da consciência histórica, e suas terríveis consequências “(…) ideologias de variadas cores, que destroem (ou desconstroem), tudo o que for diferente, podendo assim reinar sem oposição. Para isso, precisam de jovens que desprezem a história, rejeitem a riqueza espiritual e humana que se foi transmitida através de gerações, ignorem tudo quanto os precedeu (13)”.

Francisco de maneira poética diz: “a vida não é tempo que passa, mas tempo de encontro (66)”, mas deixa claro que não se deve pensar a fraternidade sem enfrentar as feridas da vida; assim, “A verdade é confessar o que aconteceu aos menores recrutados pelos agentes de violência. A verdade é reconhecer o sofrimento das mulheres vítimas de violência e de abusos (227)”. Como também” Perdão não é esquecimento não é amnésia social, mas renunciar a mesma força destruidora que os lesou (251)”. Condena com veemência todas as guerras e a pena de morte, como já havia declarado São João Paulo II, de que a mesma é inadequada no plano moral e já não necessária no plano penal.

Por fim, Francisco conclama o diálogo entre as pessoas de diferentes religiões, com a partilha de valores e experiências morais e espirituais na essência da verdade e do amor, para que se supere aos desafios do momento histórico, semeando esperança. Como conclusão, há que se destacar a bela afirmativa de Francisco: “Cuidar do mundo que nos rodeia e sustenta significa cuidar de nós mesmos. Mas precisamos nos constituirmos como um nós que habita a casa comum (17)”.

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